Silveira & Kersul Sociedade de Advogados
Bruno Silveira Advocacia Trabalhista Estratégica

Adicionais trabalhistas

Adicional de transferência: quando é devido e como comprovar

A mudança de local de trabalho pode gerar adicional de transferência quando exige mudança de domicílio e apresenta caráter provisório. O art. 469, § 3º, da CLT prevê pagamento suplementar nunca inferior a 25% dos salários percebidos na localidade de origem, enquanto durar essa situação.

O adicional não se confunde com as despesas da mudança, que correm por conta do empregador conforme o art. 470 da CLT. A análise exige examinar o motivo da transferência, sua duração, o histórico de localidades e os documentos do contrato.

Adicional de transferência: quando é devido

Mudança de domicílio e anuência

O art. 469, caput, da CLT veda, em regra, a transferência sem anuência para localidade diversa da prevista no contrato. Para esse artigo, não há transferência quando a alteração não exige necessariamente mudança de domicílio.

O § 1º disciplina exceções envolvendo cargo de confiança e condição contratual de transferência, exigindo real necessidade de serviço. O § 2º admite a transferência quando ocorrer a extinção do estabelecimento em que o empregado trabalha. Essas hipóteses devem ser examinadas conforme os fatos do caso.

Transferência provisória e adicional de 25%

O art. 469, § 3º, da CLT prevê, na hipótese ali descrita, pagamento suplementar nunca inferior a 25% dos salários que o empregado percebia na localidade de origem, enquanto durar a situação.

A Orientação Jurisprudencial 113 da SDI-1 do TST estabelece que o pressuposto para o adicional é a transferência provisória. Exercer cargo de confiança ou ter previsão de transferência no contrato não exclui, por si só, o direito ao pagamento.

A provisoriedade depende do conjunto de circunstâncias. O tempo de permanência, a sucessividade das mudanças e o contexto contratual são relevantes; uma regra isolada de duração não resolve todos os casos. A transferência definitiva não gera esse adicional segundo a OJ 113.

Quem paga as despesas da mudança?

O art. 470 da CLT atribui ao empregador as despesas resultantes da transferência. Esse dever é distinto do adicional de transferência provisória.

Comunicações da empresa, comprovantes de transporte, recibos e documentos sobre os gastos ajudam a identificar as despesas e os pagamentos efetuados. É necessário analisar quais despesas efetivamente resultaram da transferência.

Necessidade de serviço e questionamento

A necessidade de serviço deve ser real nas hipóteses legais que a exigem. A Súmula 43 do TST presume abusiva a transferência referida no § 1º do art. 469 da CLT sem comprovação dessa necessidade.

O art. 659, IX, da CLT prevê medida liminar para tornar sem efeito transferência disciplinada pelos parágrafos do art. 469. Sua concessão depende da análise judicial dos requisitos e das provas; não há resultado automático.

Documentos para trabalhadores e empresas

São relevantes a comunicação formal de transferência, o contrato e seus aditivos, o histórico de cargos e localidades, os contracheques e documentos sobre mudança de residência e despesas. Mensagens e testemunhas podem complementar esse conjunto.

Para a empresa e o RH, registrar a necessidade de serviço, as condições da mudança e os pagamentos permite avaliar a regularidade da transferência. Para o trabalhador, conservar esses registros ajuda a compreender o caráter provisório e eventuais diferenças. Cada caso depende dos fatos, dos documentos e das provas.

Perguntas frequentes

Toda mudança de cidade gera adicional de transferência?

Não. É necessário avaliar a mudança de domicílio e o caráter provisório da transferência. A OJ 113 da SDI-1 do TST exige a provisoriedade para o adicional. Uma alteração de local de trabalho que não exige mudança de residência não é transferência para os efeitos do art. 469 da CLT.

Cargo de confiança afasta o adicional?

Não automaticamente. A OJ 113 da SDI-1 do TST esclarece que o cargo de confiança e a previsão contratual de transferência não excluem o adicional. O pressuposto é a transferência provisória, e a aplicação depende das circunstâncias concretas do contrato e da mudança.

O adicional substitui as despesas da mudança?

Não. O adicional previsto no art. 469, § 3º, da CLT e as despesas do art. 470 têm fundamentos distintos. As despesas resultantes da transferência correm por conta do empregador, e os documentos permitem identificar os gastos relacionados à mudança e os valores já pagos.

É possível questionar uma transferência antes de ela ocorrer?

A CLT prevê, no art. 659, IX, medida liminar para tornar sem efeito transferência disciplinada pelos parágrafos do art. 469. A decisão depende da análise judicial dos fatos e das provas. A comunicação da empresa e os documentos sobre a necessidade da mudança são relevantes para essa avaliação.

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Bruno Silveira é advogado inscrito na OAB/MG sob o nº 100.839, com atuação em Direito do Trabalho e atendimento em Pouso Alegre/MG e por meios digitais. Este conteúdo é informativo; a orientação adequada depende dos fatos, documentos e provas de cada caso.

Conteúdo informativo elaborado por Bruno Elias Silveira — Advogado — OAB/MG 100.839. Atualizado em 03/10/2026.

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